Carta dirigida à Igreja relata episódio marcante durante o período de desterro do fundador do tocoismo.
Luanda, 15 de Outubro de 2026 — Assinalam-se, nesta quinta-feira, 53 anos desde que, a 15 de Outubro de 1973, o Profeta Simão Gonçalves Toco foi internado no Hospital da Santa Casa da Misericórdia, em Ponta Delgada, nos Açores, para uma intervenção cirúrgica que, segundo um relato escrito pelo próprio à Igreja, ficou marcada por acontecimentos de profundo significado espiritual para os fiéis tocoístas. De acordo com a carta atribuída ao Profeta, a intervenção foi realizada durante o período em que se encontrava desterrado naquela região portuguesa, sob o domínio colonial.
O internamento terá sido justificado pelas autoridades da época com o diagnóstico de uma grave insuficiência cardiovascular. No documento, o Profeta descreve o episódio numa narrativa que ultrapassa a dimensão clínica e assume, na interpretação religiosa tocoísta, um significado espiritual particular.
«A 15 de Outubro de 1973 fui internado no Hospital da Santa Casa da Misericórdia, em Ponta Delgada», escreveu o fundador do tocoismo, segundo a transcrição disponibilizada.
Na mesma carta, o Profeta Simão Toco apresenta a sua interpretação dos acontecimentos, afirmando que a intervenção teria sido preparada com a intenção de lhe retirar o coração.
O relato refere que a operação durou aproximadamente quatro horas e que a equipa médica foi chefiada pelo doutor Albergaria. Na descrição do Profeta, durante o procedimento, os médicos ter-lhe-iam retirado uma costela e, posteriormente, o coração, que teria sido colocado numa tigela. É neste momento que o relato assume um carácter extraordinário, ao narrar a reclamação que teria dirigido aos médicos: «Para onde levais o meu coração?».
Segundo a carta, a reacção dos profissionais de saúde foi de medo e espanto, levando-os a devolver o órgão ao seu lugar e a concluir a intervenção.
O texto prossegue com outro episódio que merece destaque: depois da operação, perante a falta de sangue do paciente, cidadãos açorianos ter-se-iam disponibilizado voluntariamente para doar sangue, manifestando indignação perante a situação do homem que, segundo a narrativa, vivia desterrado naquela região sem ter feito mal a ninguém. A carta atribui a esses cidadãos palavras de solidariedade e compaixão, numa atitude que, no contexto do relato, evidencia a dimensão humana do episódio e o reconhecimento da dignidade do Profeta.
Um testemunho de significado religioso. Passados 53 anos, o episódio permanece associado à memória histórica e espiritual do Profeta Simão Gonçalves Toco, figura central da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo — Os Tocoístas. Para os fiéis, os relatos deixados pelo fundador do tocoismo constituem testemunhos relevantes da sua experiência durante o desterro e da sua caminhada de fé.
A evocação desta data constitui, assim, uma oportunidade para recordar a trajectória do Profeta Simão Gonçalves Toco, valorizar os documentos históricos da Igreja e transmitir às novas gerações o conhecimento sobre os episódios que marcaram a vida do seu fundador.