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DOIS EPISÓDIOS INSÓLITOS MARCAM VISITA DE DIPLOMATA NORTE-AMERICANO AO ISPT E À RÁDIO TOCOÍSTA

Formalidades protocolares levantam questões sobre postura institucional, precedência e reconhecimento das responsabilidades profissionais. A visita do conselheiro da Embaixada dos Estados Unidos da América para os Assuntos Políticos e Económicos, Jacob Doty, à instituição de ensino superior ISPT e à Rádio Tocoísta, na terça-feira, 13 de Outubro, ficou marcada por dois episódios que suscitam reflexão sobre as formalidades protocolares, a etiqueta institucional e o reconhecimento das funções exercidas pelos diferentes intervenientes.

O primeiro episódio ocorreu no ISPT, durante a visita do diplomata, acompanhado por outras individualidades e recebido pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da instituição. Na ocasião, o Líder Espiritual da Igreja Tocoísta e patrono do estabelecimento de ensino dirigiu um gesto a uma estudante que permanecia sentada, indicando-lhe que se levantasse perante a presença dos visitantes. Embora o gesto possa ser interpretado como uma chamada de atenção para as regras de cortesia e de respeito consideradas adequadas naquele contexto, a situação levanta uma questão pertinente: até que ponto os hábitos de deferência e as convenções sociais devem ser observados de forma uniforme, e em que circunstâncias se justificam determinadas manifestações de respeito? Num ambiente académico, onde a disciplina e a educação cívica constituem valores importantes, a cortesia deve caminhar lado a lado com a compreensão do contexto, sem perder de vista a dignidade dos estudantes e o carácter educativo da instituição.

O segundo episódio verificou-se na Rádio Tocoísta, durante a mesma visita. Na ocasião, uma funcionária que exerce as funções de secretária foi apresentada aos visitantes, apesar da presença do director de Informação e de jornalistas, que também se encontravam no local, devidamente acomodados nas respectivas cadeiras. A situação suscita interrogações sobre os critérios utilizados na apresentação dos profissionais de uma instituição de comunicação social, sobretudo quando estão presentes responsáveis de áreas directamente ligadas à informação e ao exercício do jornalismo. Em visitas oficiais, a apresentação dos membros de uma instituição constitui, geralmente, um momento de representação da sua estrutura organizacional. Por essa razão, a identificação dos responsáveis, a ordem das apresentações e a consideração pelas funções desempenhadas devem obedecer a critérios de clareza, coerência e adequação ao contexto.

Importa, contudo, sublinhar que a apresentação de uma secretária aos visitantes não constitui, por si só, uma irregularidade protocolar. O ponto que merece reflexão é a eventual ausência de uma ordem de precedência claramente definida, caso os responsáveis presentes não tenham sido devidamente identificados ou apresentados.
O protocolo como expressão da organização institucional
Os dois episódios, embora distintos, convidam a uma reflexão sobre a forma como as instituições organizam a recepção de visitantes, aplicam as regras de cortesia e valorizam os seus quadros.

O protocolo não deve ser entendido apenas como um conjunto de formalidades destinadas a distinguir cargos ou conferir precedência a determinadas individualidades. Deve também servir para garantir uma recepção organizada, respeitosa e coerente com a natureza da instituição anfitriã. No contexto de uma instituição de ensino superior, a dimensão educativa deve orientar a relação com estudantes e visitantes. Já numa estação de rádio, a organização da recepção deve reflectir o conhecimento da estrutura interna, das responsabilidades profissionais e da importância dos diferentes sectores para o funcionamento da instituição.

Isso não significa que todas as apresentações tenham de seguir uma ordem rígida ou que a função de cada trabalhador determine, isoladamente, o direito de ser apresentado. Significa, antes, que a instituição deve agir com discernimento, evitando situações que possam gerar dúvidas sobre a sua organização ou sobre o reconhecimento dos seus profissionais.

Entre a cortesia e a coerência protocolar
Mais do que transformar os dois episódios em motivo de censura pessoal, importa encará-los como oportunidades para avaliar práticas institucionais e aperfeiçoar procedimentos.
A cortesia é um valor indispensável nas relações humanas, mas a sua aplicação deve ser acompanhada de sensibilidade, proporcionalidade e respeito mútuo. Da mesma forma, a representação institucional exige preparação, conhecimento das hierarquias funcionais e capacidade de distinguir os contextos em que determinadas formalidades se mostram necessárias.

No final, a questão central não reside apenas em quem se levantou, quem permaneceu sentado ou quem foi apresentado primeiro. Reside, sobretudo, na necessidade de assegurar que os gestos, as atitudes e os procedimentos adoptados durante visitas oficiais transmitam uma imagem de organização, respeito e maturidade institucional.
Porque, tanto na academia como na comunicação social, a forma como uma instituição recebe os seus visitantes também revela a forma como compreende, organiza e valoriza as pessoas que dela fazem parte.

Por: Michel
” O Cardeal-único “