O dia 22 de Outubro de 1949 permanece gravado na história do Tocoísmo como um marco de provação, coragem espiritual e fidelidade à missão profética de Simão Gonçalves Toco. Foi nesta data, em Léopoldville, actual Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, que o Profeta enfrentou a sua primeira prisão, dando início a uma das páginas mais marcantes e dramáticas da história da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo — Os Tocoístas.
Mais do que um episódio de privação da liberdade, aquela prisão tornou-se, na memória histórica e espiritual do Tocoísmo, uma verdadeira prova de fogo da fé e do mistério que envolvia o movimento religioso nascente. Num gesto extraordinário de solidariedade para com o seu mestre, mais de três mil fiéis, segundo a tradição histórica tocoísta, decidiram apresentar-se voluntariamente à cadeia de Filtra e Ndolo, partilhando simbolicamente o destino daquele que reconheciam como guia espiritual.
Cerca de três meses depois, os acontecimentos culminaram no julgamento e na expulsão dos fiéis do território congolês, sob acusações relacionadas com a propagação de mensagens de um poder místico que, segundo as autoridades coloniais belgas, poderia ameaçar a ordem estabelecida. Assim se abriu um longo e doloroso capítulo de perseguições, separações e deslocações forçadas, que viria a marcar profundamente a trajectória do Profeta e dos seus seguidores.
Em Janeiro de 1950, na sequência da expulsão, o grupo foi entregue às autoridades coloniais portuguesas em Angola. Começava, assim, uma nova etapa da odisseia tocoísta, marcada pelas dificuldades impostas pelo sistema colonial, mas também pela perseverança de uma comunidade que procurava permanecer fiel às suas convicções religiosas e à missão que atribuía ao seu líder espiritual.
Passadas décadas, o 22 de Outubro continua a evocar, para os Tocoístas, a memória de um acontecimento fundador: um testemunho de solidariedade colectiva, resistência espiritual e fidelidade à fé, cuja importância ultrapassa o episódio da prisão e se projecta na construção da identidade histórica e religiosa da Igreja.
Aleluia, Aleluia, amém